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PAPO DE GORDO
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Matéria publicada em: 26/10/2006
TODOS OS FESTIVAIS DO BRASIL

 Às vezes temos de pensar se os festivais de rock nacionais são como o pássaro mitológico Fênix: das cinzas os mesmos sempre ressurgem. Em um país o qual já tivemos três “Rock in Rio”, quatro “Monsters of Rock” e diversas edições do “Skol Rock”, ficamos por muito tempo com a sensação de abandono por parte de grandes organizadores de eventos. Não que não existam festivais no Brasil, existem vários, mas sentia-se falta de um grande festival de heavy metal, o qual pudesse ser fortemente divulgado na mídia nacional, trazendo grandes nomes e proporcionalmente um grande público.

Atualmente ficamos no Brasil com dois festivais mais conhecidos para o público: primeiramente o Brasil Metal Union (BMU), que inteligentemente foca nas bandas nacionais, mas que perde em divulgação, patrocínio e público e temos o Live and Louder, o mais recente dos grandes festivais que já mostrou que veio para ficar. Sinceramente não entendemos com o Brasil não consegue demonstrar força para ter um grande festival. Muitos culpam o alto preço dos ingressos ou a situação econômica, o que não é verdade, pois na época dos dois primeiros “Rock in Rio” o Brasil passava por uma situação muito pior e o público estava lá. Os ingressos com certeza não foram baratos. Falta de pessoas interessadas em levar um festival desses para frente é notável. A organização de um evento deste porte é algo realmente difícil e se tem uma coisa que fã de metal brasileiro pode ser conhecido é pela alta expectativa e crítica a respeito dos eventos.

Seria um baixo retorno financeiro também responsável por estas dificuldades? Isso é muito relativo. Num caso como o Rock and Rio, era fácil de ver que com certeza o evento trazia um grande retorno para os organizadores (150.000 pessoas no show do Iron Maiden??) e só não se ganhava dinheiro num caso de muita falta de organização e administração. As pessoas que realizam tais eventos precisam lucrar com os eventos. Na verdade pelo grande trabalho que as mesmas têm, elas realmente DEVEM poder ganhar com isso, mas é complicado quando deixam o dinheiro subir à cabeça e, por exemplo, fazem um “Rock in Rio” em Lisboa, Portugal, para poder lucrar em cima do nome do festival. Que falta de imaginação.

Lembrando a frase de um filme “construa que eles virão” ficou provado no Live and Louder deste ano que a força da cena do metal Brasileiro ainda tem e pode vir a aumentar. Pessoas de todas as partes do Brasil estavam lá. Santa Catarina (nós), Paraná. Rio Grande do Sul e até Bahia foi fortemente representada. Com os Baianos, por exemplo, conversamos sobre como era o metal Brasileiro em épocas antigas, já que todos eles tinham entre 40 e 45 anos. Ficou aquele gostinho de “Eu queria estar lá”. O Brasil é capaz de fazer mais eventos como os bons e velhos “Monsters” e fazer uma edição do BMU em cada estado. Eventos que possam divulgar as bandas nacionais e que possam trazer as bandas internacionais.

Mas um fator deve ser levado em consideração: tudo isso tem de ser feito com seriedade e principalmente organização. Um festival pode ser feito para dar dinheiro, mas que a ganância não faça com que grandes festivais afastem o seu público e principalmente pare de “queimar” a imagem deles perante todos nós.

R&R

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