OS
PELADOS DOS FESTIVAIS
Primeiramente gostaríamos
de agradecer ao Sr. Anônimo que sugeriu esse
tema. Vínhamos pensando em falar sobre o
assunto, mas após receber um e-mail que resolvemos
escrever esse texto. No e-mail estavam as seguintes
perguntas as quais tentaremos colocar nossa humilde
opinião: “Vocês acham que Rock’n’Roll
precisa de rebeldia?". O que dizer de pessoas
(sem citar nomes) que ficam peladas em festivais
em nome do Rock? E vocês acham que tanto homens
ou mulheres podem expressar essa manifestação,
ou ainda há muito preconceito em mostrar
o bilau?
Ass.: Sr.“Anônimo.”
Vamos
lá, do dicionário:
- re.bel.de
adj. m. e f. 1. Que se revolta ou se insurge contra
o governo ou contra a autoridade legitimamente constituída;
insurgente, insurreto. 2. Indisciplinado, teimoso.
3. Selvagem, bravo, indomesticável, obstinado.
4. Difícil de curar ou de debelar (doença).
5. Árido, escabroso. S. m. e f. Pessoa rebelde. |
Nós,
headbangers, não nos encaixamos totalmente
nos padrões normais da sociedade e de certa
forma somos todos obstinados, pois todos acreditam
até o final no rock and roll, então,
de certa forma, que somos rebeldes, sim. Mas fala
sério, antes nós que eles! A rebeldia
sempre vai ser característica do povo do
metal.
Se examinarmos o passado, no fim das contas, os
rebeldes simplesmente eram as pessoas que resolveram
que não gostavam das coisas do jeito que
estavam. Estas, diversos anos mais tardes, são
sempre as responsáveis pelas grandes mudanças
na maneira de pensar e enxergar as coisas ao nosso
redor. Obviamente, todas foram caçadas, torturadas,
queimadas ou qualquer outra forma horrível
de morte, mas que não vem ao caso.
Antes de falar do bilau alheio, nos ocorreu
que muita gente que tinha maquiagem escura e usava
roupa preta até na praia, chegam a determinados
momentos das suas vidas que passam a usar rosa e
brilho no olho. Porque será que isso acontece?
Tem gente que não curte mesmo. Vai “na
onda da galera” e que são tão
volúveis quanto aqueles que seguem as modas
da novela “Rebelde”. Esses têm
até alguns apelidos simpáticos como
“os espadinhas” e coisas do gênero.
Logo eles estão em outra. Mas apesar da maioria
saber quem sempre vai curtir metal e quem vai virar
a casaca, todos nós queremos uma coisa: Liberdade.
Então, enquanto o “público passageiro”
do metal não roubar, matar ou prejudicar
alguém, acredito que devemos permitir a eles
a mesma liberdade que queremos pra nós. E
é ai que entram os “pelados dos festivais”.
Quem vai num festival como os conhecidos (em
Santa Catarina, pelo menos) como o River Rock (Indaial),
Tschumistock (Rio do Sul), Bob Rock (Dona Emma),
Rural Rock (São Pedro de Alcântara),
o novo Orquídea Rock (Lages), entre outros,
procura justamente um lugar onde, além de
conseguir escutar boa música, tem a oportunidade
de fazer o que seria mal visto pelas pessoas “normais(?)”.
Então unimos a Rebeldia com a Liberdade.
Todos, homens ou mulheres, têm o direito de
usar a quantidade de roupa que quiserem em um festival,
inclusive quando isso significa nenhuma roupa. O
engraçado é que, diferente do que
a maioria pensa, a ocorrência é absurdamente
maior para homens sem roupa que mulheres. São
mais ou menos 10 homens para cada mulher. Isso resulta
em 1 mulher a cada 3 festivais. |

Satana Metal Fest 3 - amigo blumenauense com
tara por mostrar a bunda |
Particularmente,
não achamos nada agradável
olhar um rapaz da nossa idade de cueca andando
pelo acampamento. Mas vamos falar a verdade...
Dependendo quem é o “pelado”,
nem as meninas acham agradável. Por
exemplo: se nós do “Papo de
Gordo” decidíssemos andar de
cueca pelo acampamento, provavelmente ia
ter gente chorando, correndo para as barracas
com o olho ardendo ou mesmo tendo cegueiras
momentâneas.
Mas, diga-se de passagem, é extremamente
divertido quando alguém chega pra
ti e fala: “Se tu me deres R$1,00,
eu vou de cueca correndo até lá
embaixo e volto”.Enfim... Roupões
no lugar de sobretudos pretos, pantufas
pela manhã e cuecas ambulantes pelo
acampamento são os temperos da diversão
de um festival. São os “rebeldes
felizes” procurando a liberdade de
fazer o que quiser. E o único mal
nisso tudo é uma dúzia de
pessoas com náuseas ou um punhado
de consultas ao oftalmologista.
R&R
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