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PAPO DE GORDO
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Matéria publicada em: 13/11/2006

OS PELADOS DOS FESTIVAIS

  Primeiramente gostaríamos de agradecer ao Sr. Anônimo que sugeriu esse tema. Vínhamos pensando em falar sobre o assunto, mas após receber um e-mail que resolvemos escrever esse texto. No e-mail estavam as seguintes perguntas as quais tentaremos colocar nossa humilde opinião: “Vocês acham que Rock’n’Roll precisa de rebeldia?". O que dizer de pessoas (sem citar nomes) que ficam peladas em festivais em nome do Rock? E vocês acham que tanto homens ou mulheres podem expressar essa manifestação, ou ainda há muito preconceito em mostrar o bilau?
Ass.: Sr.“Anônimo.”

Vamos lá, do dicionário:
- re.bel.de
adj. m. e f. 1. Que se revolta ou se insurge contra o governo ou contra a autoridade legitimamente constituída; insurgente, insurreto. 2. Indisciplinado, teimoso. 3. Selvagem, bravo, indomesticável, obstinado. 4. Difícil de curar ou de debelar (doença). 5. Árido, escabroso. S. m. e f. Pessoa rebelde.

The Rolling Stones - amigo blumenauense trocando de roupa em caixa eletrônico The Rolling Stones - alemãs bem a vontade no meio da galera.
The Rolling Stones - amigo blumenauense trocando de roupa em caixa eletrônico
The Rolling Stones - alemãs bem a vontade no meio da galera
Nós, headbangers, não nos encaixamos totalmente nos padrões normais da sociedade e de certa forma somos todos obstinados, pois todos acreditam até o final no rock and roll, então, de certa forma, que somos rebeldes, sim. Mas fala sério, antes nós que eles! A rebeldia sempre vai ser característica do povo do metal.
Se examinarmos o passado, no fim das contas, os rebeldes simplesmente eram as pessoas que resolveram que não gostavam das coisas do jeito que estavam. Estas, diversos anos mais tardes, são sempre as responsáveis pelas grandes mudanças na maneira de pensar e enxergar as coisas ao nosso redor. Obviamente, todas foram caçadas, torturadas, queimadas ou qualquer outra forma horrível de morte, mas que não vem ao caso.

 Antes de falar do bilau alheio, nos ocorreu que muita gente que tinha maquiagem escura e usava roupa preta até na praia, chegam a determinados momentos das suas vidas que passam a usar rosa e brilho no olho. Porque será que isso acontece?
Tem gente que não curte mesmo. Vai “na onda da galera” e que são tão volúveis quanto aqueles que seguem as modas da novela “Rebelde”. Esses têm até alguns apelidos simpáticos como “os espadinhas” e coisas do gênero. Logo eles estão em outra. Mas apesar da maioria saber quem sempre vai curtir metal e quem vai virar a casaca, todos nós queremos uma coisa: Liberdade. Então, enquanto o “público passageiro” do metal não roubar, matar ou prejudicar alguém, acredito que devemos permitir a eles a mesma liberdade que queremos pra nós. E é ai que entram os “pelados dos festivais”.

 Quem vai num festival como os conhecidos (em Santa Catarina, pelo menos) como o River Rock (Indaial), Tschumistock (Rio do Sul), Bob Rock (Dona Emma), Rural Rock (São Pedro de Alcântara), o novo Orquídea Rock (Lages), entre outros, procura justamente um lugar onde, além de conseguir escutar boa música, tem a oportunidade de fazer o que seria mal visto pelas pessoas “normais(?)”. Então unimos a Rebeldia com a Liberdade. Todos, homens ou mulheres, têm o direito de usar a quantidade de roupa que quiserem em um festival, inclusive quando isso significa nenhuma roupa. O engraçado é que, diferente do que a maioria pensa, a ocorrência é absurdamente maior para homens sem roupa que mulheres. São mais ou menos 10 homens para cada mulher. Isso resulta em 1 mulher a cada 3 festivais.
The Rolling Stones - alemãs bem a vontade no meio da galera.

Satana Metal Fest 3 - amigo blumenauense com tara por mostrar a bunda

Particularmente, não achamos nada agradável olhar um rapaz da nossa idade de cueca andando pelo acampamento. Mas vamos falar a verdade... Dependendo quem é o “pelado”, nem as meninas acham agradável. Por exemplo: se nós do “Papo de Gordo” decidíssemos andar de cueca pelo acampamento, provavelmente ia ter gente chorando, correndo para as barracas com o olho ardendo ou mesmo tendo cegueiras momentâneas.

Mas, diga-se de passagem, é extremamente divertido quando alguém chega pra ti e fala: “Se tu me deres R$1,00, eu vou de cueca correndo até lá embaixo e volto”.Enfim... Roupões no lugar de sobretudos pretos, pantufas pela manhã e cuecas ambulantes pelo acampamento são os temperos da diversão de um festival. São os “rebeldes felizes” procurando a liberdade de fazer o que quiser. E o único mal nisso tudo é uma dúzia de pessoas com náuseas ou um punhado de consultas ao oftalmologista.

R&R

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