|
O quarteto criado em 1974 acabou se tornando
um marco e uma das melhores bandas de história
e fazendo isso de maneira simples, um som
com apenas 3 a 4 acordes e letras curtas porém
diretas. Porém muitas pessoas (incluindo
nós) não sabem dos muitos problemas
existentes por trás dos bastidores,
e o documentário “The End of
the Century” vem como um soco no estômago,
mostrando o que realmente era a vida de um
Ramone.
Lançado em 2005, o documentário
faz um levantamento dos relacionamentos entre
a banda, nas diversas formações.
“Acho que podemos ser amigáveis
uns com os outros, gostar uns dos outros,
mas não conseguimos conviver nem nos
comunicar”, essa é a primeira
frase que o baixista Dee Dee diz no começo
do documentário. E isso é visto
nas várias entrevistas do DVD. Com
exceção das entrevistas com
o Joey (que já havia falecido na época
da gravação do documentário),
todas as entrevistas foram feitas antes de
2002, quando a banda entrou para o Hall da
Fama e 2 meses antes da morte por overdose
de Dee Dee.
Desde
o começo da história da banda
já existe uma certa rixa entre Joey
e Johnny. O guitarrista não queria
Joey no vocal (que era para ter sido de Dee
Dee, mas o mesmo não conseguia tocar
e cantar ao mesmo tempo) e só cedeu
depois que o então baterista Tommy
fizesse muita pressão para isso. O
confronto entre os dois durou anos e complicou
no momento em que Linda, a então namorada
do Joey, o trocasse por Johnny. Essa história
inclusive é responsável pela
música “The KKK took my baby
away” que Joey teria escrito como crítica
aos dois. A troca fez com que Joey de certa
forma nunca se recuperasse, como várias
pessoas vão falando ao longo do DVD.
Com
o lançamento do álbum “Ramones”
em 1976, vemos a dura vida de estrada e shows,
sendo que mesmo no começo, até
quase final de carreira, o Ramones fazia diversos
shows para um público relativamente
pequeno de 1.000 a 3.000 pessoas por apresentação
nos EUA.
Mesmo
ainda não sendo muito conhecidos nos
EUA, é engraçado ver o papel
que a banda teve para o movimento punk na
Inglaterra. Joe Strummer, do The Clash, que
fala como o primeiro show da banda na Inglaterra
foi o fruto de surgimento de diversas bandas
incluindo o próprio The Clash e o Sex
Pistols.
O
marco, conforme Dee Dee declara no documentário,
para o começo das grandes brigas da
banda teria sido o álbum “End
of the Century”, produzido pelo lendário
produtor Phil Spector. Esperado para ser o
disco que finalmente iria lançar a
carreira da banda, acabou se tornando um fiasco,
saindo do gosto dos fãs como também
a Johnny, Dee Dee e o então baterista
Marky. Joey teria sido o único a gostar
do álbum.
Após
isso vemos a saída do baterista Marky
(por problemas de álcool). O seu substituto
Ritchie Ramone acaba saindo depois por divergências
referentes aos ganhos da banda “quando
estávamos em turnê eu era um
Ramone, mas quando era para receber minha
parte nos lucros das vendas das camisetas,
eu já não era, isso após
5 anos com a banda”. Após o retorno
de Marky, seria a vez de Dee Dee sair da banda
para a entrada de CJ e o que seria a formação
da banda até o fim em 1996.
A
saída de Dee Dee acaba se tornando
cômica, principalmente por mostrar os
vídeos de rap que ele fez ao sair,
coisas que ele mesmo se arrepende depois,
como conta no DVD.
Merece
também um destaque a passagem da banda
pelo Brasil no documentário. É
visível como a banda fica transtornada
pela quantidade de fãs que tem aqui
no Brasil, mas também acaba ficando
marcada pelos infelizes comentários
que focam o tempo todo na pobreza do país.
Os
extras também valem para informações
para os mais fanáticos, como Tommy
dizendo quem fez qual música nos primeiros
dois álbuns, o membro de 2 semanas
na banda Elvis Ramone, Johnny colocando que
não gostou do álbum Mondo Bizarro
e outras pérolas.
No
fim, temos um documentário sincero
e realista de tudo o que aconteceu com a banda
nos seus diversos anos de carreira. Um DVD
imperdível para qualquer fã
dos Ramones e muito instrutivo pra quem é
simpatizante. Fica ai a dica pra vocês
procurarem saber mais sobre suas bandas prediletas
e outras nem tanto para que, na hora de falar
bem ou mal, saiba exatamente o falar.
Grande
abraço.
R&R
|