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PAPO DE GORDO
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Matéria publicada em: 07/02/2007

A verdadeira história do Ramones? – The End of the Century

Em pleno verão, na praia de Bombas/SC, com muitas cervejas e comendo uma carninha, tivemos a oportunidade de tomar uns banhos no mar, beber em barzinhos, sair nas baladas, mas em vez disso resolvemos ficar em casa jogando general e assistindo o documentário "The End of the Century – The Story of the Ramones", que para os fãs da banda, é indispensável.

Que o Ramones se tornou um marco na história do punk rock e do próprio rock em geral a nível mundial todos sabem.

O quarteto criado em 1974 acabou se tornando um marco e uma das melhores bandas de história e fazendo isso de maneira simples, um som com apenas 3 a 4 acordes e letras curtas porém diretas. Porém muitas pessoas (incluindo nós) não sabem dos muitos problemas existentes por trás dos bastidores, e o documentário “The End of the Century” vem como um soco no estômago, mostrando o que realmente era a vida de um Ramone.

Lançado em 2005, o documentário faz um levantamento dos relacionamentos entre a banda, nas diversas formações. “Acho que podemos ser amigáveis uns com os outros, gostar uns dos outros, mas não conseguimos conviver nem nos comunicar”, essa é a primeira frase que o baixista Dee Dee diz no começo do documentário. E isso é visto nas várias entrevistas do DVD. Com exceção das entrevistas com o Joey (que já havia falecido na época da gravação do documentário), todas as entrevistas foram feitas antes de 2002, quando a banda entrou para o Hall da Fama e 2 meses antes da morte por overdose de Dee Dee.

Desde o começo da história da banda já existe uma certa rixa entre Joey e Johnny. O guitarrista não queria Joey no vocal (que era para ter sido de Dee Dee, mas o mesmo não conseguia tocar e cantar ao mesmo tempo) e só cedeu depois que o então baterista Tommy fizesse muita pressão para isso. O confronto entre os dois durou anos e complicou no momento em que Linda, a então namorada do Joey, o trocasse por Johnny. Essa história inclusive é responsável pela música “The KKK took my baby away” que Joey teria escrito como crítica aos dois. A troca fez com que Joey de certa forma nunca se recuperasse, como várias pessoas vão falando ao longo do DVD.

Com o lançamento do álbum “Ramones” em 1976, vemos a dura vida de estrada e shows, sendo que mesmo no começo, até quase final de carreira, o Ramones fazia diversos shows para um público relativamente pequeno de 1.000 a 3.000 pessoas por apresentação nos EUA.

Mesmo ainda não sendo muito conhecidos nos EUA, é engraçado ver o papel que a banda teve para o movimento punk na Inglaterra. Joe Strummer, do The Clash, que fala como o primeiro show da banda na Inglaterra foi o fruto de surgimento de diversas bandas incluindo o próprio The Clash e o Sex Pistols.

O marco, conforme Dee Dee declara no documentário, para o começo das grandes brigas da banda teria sido o álbum “End of the Century”, produzido pelo lendário produtor Phil Spector. Esperado para ser o disco que finalmente iria lançar a carreira da banda, acabou se tornando um fiasco, saindo do gosto dos fãs como também a Johnny, Dee Dee e o então baterista Marky. Joey teria sido o único a gostar do álbum.

Após isso vemos a saída do baterista Marky (por problemas de álcool). O seu substituto Ritchie Ramone acaba saindo depois por divergências referentes aos ganhos da banda “quando estávamos em turnê eu era um Ramone, mas quando era para receber minha parte nos lucros das vendas das camisetas, eu já não era, isso após 5 anos com a banda”. Após o retorno de Marky, seria a vez de Dee Dee sair da banda para a entrada de CJ e o que seria a formação da banda até o fim em 1996.

A saída de Dee Dee acaba se tornando cômica, principalmente por mostrar os vídeos de rap que ele fez ao sair, coisas que ele mesmo se arrepende depois, como conta no DVD.

Merece também um destaque a passagem da banda pelo Brasil no documentário. É visível como a banda fica transtornada pela quantidade de fãs que tem aqui no Brasil, mas também acaba ficando marcada pelos infelizes comentários que focam o tempo todo na pobreza do país.

Os extras também valem para informações para os mais fanáticos, como Tommy dizendo quem fez qual música nos primeiros dois álbuns, o membro de 2 semanas na banda Elvis Ramone, Johnny colocando que não gostou do álbum Mondo Bizarro e outras pérolas.

No fim, temos um documentário sincero e realista de tudo o que aconteceu com a banda nos seus diversos anos de carreira. Um DVD imperdível para qualquer fã dos Ramones e muito instrutivo pra quem é simpatizante. Fica ai a dica pra vocês procurarem saber mais sobre suas bandas prediletas e outras nem tanto para que, na hora de falar bem ou mal, saiba exatamente o falar.

Grande abraço.

R&R

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