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PAPO DE GORDO
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papodegordo@gmail.com
Matéria publicada em: 26/05/2007

As lendárias brigas no Rock And Roll – Parte 1

 

Sugestão: Mauro César de Oliveira

"Dias atrás" apareceu em todos os canais de Rock And Roll, a demissão de dois membros da banda Evanescence e como conseqüência armou-se o barraco. É declaração daqui, xingamento de lá e por aí foi.

As brigas no Rock And Roll sempre existiram, seja por dinheiro, divergências musicais, divergências pessoais etc. A grande maioria das bandas começou por acaso, como amigos que no fim queriam se divertir, tirar uns trocados e arrumar mulheres. Porém, são raros os casos de bandas que conseguem logo após alcançar o sucesso, agüentar a pressão da mídia, dos fãs e principalmente a grande preocupação financeira. Nos anos 60 e 70 era comum vermos as grandes bandas acabarem partindo para o uso de drogas cada vez mais pesadas para conseguir agüentar esta pressão.

Por outro lado, temos também o desgaste pessoal. Imagine você ter de viajar durante vários meses com ônibus, ou mesmo de avião, sempre ensaiando e ainda depois o tempo todo em estúdio para gravações e que geralmente acabam gerando as desavenças criativas.

Assim, pudemos ver ao longo da história as grandes brigas que muitas bandas tiveram e inclusive as quais muitas tiveram seu fim decretado. O Papo de Gordo faz então sua análise sobre algumas dessas brigas e todas as conseqüências das mesmas para a história da música.

1 - BEATLES
(John Lennon e Paul McCartney)
Uma das brigas mais conhecidas, porém também uma das que menos se sabe realmente o que aconteceu.

Por volta de 1966/67 a banda havia resolvido crescer musicalmente e fugir um pouco do grande público e da pressão. Nessa época lançaram seus álbuns experimentais e pararam de fazer shows ao vivo por conseqüência evolução da musicalidade de banda.

Após o falecimento do seu produtor (que cuidava principalmente de sua parte financeira) o dinheiro havia desaparecido.
A banda reconquistou o agrado do público e crítica com o lançamento de "Hey Jude" que se tornou um dos maiores sucessos dos Beatles. Porém o relacionamento entre os membros da banda já andava ruim. O clima pesado nas gravações do "White Album" levaram Ringo a abandonar a banda durante alguns dias. A situação ficou mais delicada quando John Lennon passou levar sua nova namorada, Yoko Ono, para participar das gravações. O álbum porém, conseguiu amenizar a situação financeira e a banda se viu novamente nos eixos.
Em 1968 numa tentativa de retorno a energia do início da carreira, Paul McCartney criou o projeto "Get Back", que deveria ser composto de um filme e um disco de Rock And Roll, gravados sem truques de estúdio. Vemos aqui o início da luta de egos entre Paul (que queria simplificar) e John (que queria evoluir ainda mais o som da banda). Após as tomadas iniciais essas divergências entre os membros da banda levaram ao abandono do projeto que mais tarde seria aproveitado no lançamento do disco "Let It Be".

Em 1969, tivemos o que aparentava ser a trégua da banda e com o lançamento do "Abbey Road". Todos achavam que a situação havia se amenizado, mas na verdade a banda já sábia que havia encontrado seu fim pois ambos Paul McCartney e John Lennon estavam trabalhando eu seus álbuns solos.

Assim, em 10 de abril de 1970, foi decretado o fim da banda de rock mais conhecida do mundo.
2 - Black Sabbath
(Ozzy Osbourne e Tony Iommi)

No início da década de 70, o Black Sabbath já era uma das bandas de rock mais conhecidas do mundo. Essa é a época também das maiores loucuras feitas por Ozzy, de orgias até roubos de lojas. Porém a banda continuava com suas gravações e grande sucesso de shows.

Entretanto, para Tony, parece que não estava bom o suficiente ainda, e isso foi o motivo de um outro ponto de desgaste que passou a incomodar a banda por dentro. A grandes apresentações de bandas como Deep Purple, Led Zeppelin, e todos os grupos progressivos, levou o guitarrista a querer incrementar mais o som do Sabbath com mudanças de ritmo, viradas e passagens sonoras incrementadas - e ainda interligando tudo com vários solos e improvisações, nas apresentações ao vivo.

A partir de 1972 essa característica começa a marcar banda e passou a irritar Ozzy. Com o passar dos anos, a coisa foi se agravando de tal modo que, em seus últimos concertos na década, cerca de 40 minutos de uma apresentação do Sabbath, de um total de 90 minutos, em média, eram compostos, basicamente, de jams jazzísticas e instrumentais do grupo, com Tony solando com sua guitarra, no meio de várias músicas do grupo, enquanto Ozzy ficava olhando nervoso num canto do palco, e tentava, em vão, agitar a galera com o mesmo pique de antigamente.

Nas palavras de Ozzy após abandonar a banda e passar para a carreira solo: "Nos últimos shows o Tony ficava lá, fazendo enormes solos de jazz de bocejar, e eu lá, só olhando ele de um canto do palco, quase implorando para ele parar e voltar a tocar um rock. Não importa o que pensem, cara: o Black Sabbath não é jazz; pra mim, o Black Sabbath sempre foi rock, cara, rock!".
Após isso, a banda entrou em diversas turnês pesadas e discussões sobre o estilo no lançamento dos álbuns. Para as gravações enfrentavam o perfeccionismo de Tony que grava e regravava as músicas diversas vezes. Isso fez com que a crítica começasse a dizer que a banda não conseguia mais encontrar o seu estilo.

No final da turnê de 1977, em outubro, Ozzy chegou para Tony a fim de ter uma conversa séria com ele, e desabafou: "Olha, não dá mais". Já haviam tido algumas discussões barulhentas ao longo da turnê, mas como dizia Tony, "era mais uma coisa tipo liga/desliga, nada muito sério". Finalmente as divergências musicais entre ambos chegou ao limite. Assim que Ozzy foi embora, Tony se sentiu apavorado, repetindo para si mesmo: "E agora... a banda sem o Ozzy".

Mas a banda e Ozzy acabariam se reunindo novamente, depois de uma fracassada tentativa da banda com outro vocalista e a depressão que Ozzy havia sentido após sair dabanda. O que de início parecia que ia dar certo, logo acabou voltando para as mesmas brigas de sempre.

Por fim, em novembro de 1978, acontece a ruptura definitiva da banda: um concerto em Nashville para 12.000 fãs tem que ser cancelado pois Ozzy, simplesmente, desaparece. Durante quase dois dias, os membros da banda, roadies e familiares procuram o vocalista que, desconfia-se, possa até ter sido sequestrado. Entretanto, milagrosamente, uma chamada de um pequeno hotel da cidade é feita, e o gerente manda chamar Tony e os outros às pressas: Ozzy Osbourne, após uma "festinha" e "alguns" drinques a mais, duas noites antes, havia entrado no quarto errado e trancado a porta e, bêbado e provavelmente bastante drogado, ele caíra no sono e só fora encontrado ali, completamente apagado, graças a uma das faxineiras do hotel.

Com isso, Tony havia decidido que era o bastante. Apesar disso até hoje não se sabe se Ozzy foi demitido da banda ou se o mesmo resolveu sair.

Em 1979 entraria Ronnie James Dio (ex-vocalista do Rainbow, de Ritchie Blackmore) e que acabaria marcando um novo rumo para a história da banda.

3 - Metallica
(Dave Mustaine e James Hetfield)
Vamos falar a verdade: se teve uma briga que marcou tempo e ficou conhecida foi a briga entre Dave Mustaine e James Hetfield. Quando o Metallica estava começando a ficar conhecido, resolveram largar tudo e realmente se dedicarem somente a música. Por volta de 1982, começam as primeira grandes brigas na banda, especialmente o duelo de egos entre James Hetfield e Dave Mustaine.

Para resumir a história: Mustaine passava por um sério problema com álcool e drogas, particularmente durante os shows, o que atrapalhava a performance de todos. Para piorar, não eram raras às vezes em que os dois quebravam o pau em cima do palco mesmo, pois Mustaine não se contentava em ficar ao lado do guitarrista/vocalista. Ele queria os holofotes e abusava da paciência dos outros encaixando solos inexistentes e criando verdadeiros malabarismos para desviar a atenção do público (você consegue alguns exemplos disso em trechos do clássico vídeo Cliff´Em All).

Lógico que todos na banda bebiam, mas sabiam controlar os seus limites, o que não acontecia com Dave. Uma briga, em especial, ficou muito famosa: James, Lars e Ron estavam em casa. Ron tomava um banho e Dave chegou bêbado com seu cachorro (descrito como uma máquina assassina). O cão resolveu passear e descobriu o carro de Ron na garagem com a porta aberta. O cachorro acabou destruiu todo o estofamento do carro. Quando James viu a cena, imediatamente ordenou que Mustaine fosse embora com seu bichinho, sendo que o guitarrista não estava em seus melhores humores e virou um soco violento na cara de Hetfield, que também revidou e um quebra-pau generalizado começou até que Lars interveio e separou os dois.
Anos depois, o próprio Mustaine comentou em uma famosa entrevista que existem dois tipos de bêbados: os alegres e os raivosos e ele pertencia ao segundo grupo.

Apesar dos problemas, o Dave sóbrio e limpo era um bom músico e grande parte das composições do Kill´Em All e também os primeiros riffs do Ride The Lightning nasceram com a sua ajuda.

São fatos jamais negados por James e Lars e por enquanto, Dave continuaria.
Um pouco antes da gravação do primeiro álbum, o Metallica excursionava com a banda Venom, abrindo os shows para a mesma. A banda conseguiu um adiantamento e foi de carro até o lugar do início da turnê. Revezavam-se no volante e na vez de Dave (que para variar estava sempre bêbado) bateram num jipe. Apesar de ninguém ter se machucado, a situação entre os membros da banda só piorou.

Nessa época, o empresário da banda começou a se preocupar com as atitudes de Dave Mustaine em relação aos demais. Mustaine estava sempre fora de controle, bêbado, drogado, displicente com as responsabilidades e prejudicava os shows de abertura do Venom. A situação era insustentável, mas até hoje, nem o Metallica e nem o próprio Mustaine revelaram qual foi o grande estopim na história. A verdade é que assim que chegaram em Nova Jersey, os integrantes já queriam Dave fora pelo acidente que aconteceu na viagem.

O último show do Metallica com Dave Mustaine ocorreu no L´amours em Nova York em 9 de Abril de 1983 com o Venom e o Vandenberg. Pouco depois da apresentação, James, Lars e Cliff decidiram quem iria informar Mustaine que ele estava demitido. Cliff acabara de entrar na banda, Lars temia a reação violenta do guitarrista, portanto sobrou para James Hetfield a comunicação do fato. Sem muita enrolação James apenas disse que todos pensaram muito e as coisas não poderiam mais continuar desta forma: Dave estava fora.

O guitarrista, pra variar totalmente bêbado, demorou cerca de 10 minutos para arrumar suas coisas e foi colocado em um ônibus de volta para San Francisco. Reza a lenda que Mustaine passou a viagem inteira inconsciente após o último porre e só acordou (entenda-se “percebeu o que tinha acontecido”) em casa.

A saída de Dave Mustaine do Metallica é um dos capítulos mais polêmicos da história da banda e até hoje gera repercussão. O DVD Some Kind of Monster mostra isso com a cena clássica em que o guitarrista discute com Lars Ulrich as conseqüências de sua saída e o quanto isso representou nas décadas seguintes.

Após a saída da banda, ainda muito enfurecido, Dave formou o Megadeth em São Francisco alguns meses depois jurando que iria ofuscar o sucesso de seus ex-colegas e deu diversas entrevistas alfinetando James e Lars e ainda acusando Kirk de roubar indevidamente todos os seus solos naquelas primeiras músicas da banda. Ainda hoje a situação não está completamente finalizada, mas em suas últimas entrevista Dave aparentemente dá indícios de ter deixado essa história para trás (o que já estava mais do que na hora).
4 – Ramones
(Joey e Johnny Ramone)
Essa talvez seja uma das brigas menos aparente de bandas (Afinal, os dois ficaram na formação da banda desde o surgimento em 1974 até 1996 na despedida da banda).

Esta história fica bem visível ao assistir o DVD End of History (o qual o Papo de Gordo já comentou).
Engraçado ver que os dois não se davam desde o começo. Johnny sempre foi o rebelde sem causa revoltado e Joey o cara super tímido. Quando Tommy, Johnny e Dee Dee começaram o Ramones, Johnny não queria que Joey assumisse os vocais, mas acabou cedendo até porque Dee Dee não conseguia tocar e cantar.

Apesar das desavenças, conseguiram seguir em frente e fazer o sucesso que a banda alcançou. Porém existe um fator que foi determinante para o fim de qualquer amizade de Joey e Johnny: Linda que era a namorada de Joey (inclusive muitos comentam que foi uma das poucas fases em que se podia ver Joey feliz), o trocou pelo guitarrista. Após isso, temos anos mágoas guardadas que nunca foram discutidas entre o guitarrista e o vocalista.

A produção do álbum “End of the Century” também acabou gerando muitos desentendimentos entre a banda. Phil Spector era um produtor lendário da época de 60, o qual Joey venerava. Quando este assumiu o cargo de produtor do álbum, era esperado que o mesmo seria o álbum de consagração do Ramones, coisa que no fim não o que aconteceu. Álbum somente agradou a Joey e isso agravou mais o desentendimento entre ele e Johnny.

Porém, mesmo com todas a desavenças, os dois nunca deixaram que isso influísse em demasia na banda e fez com que conseguissem trabalhar juntos até o final do quarteto.
Grande Abraço a todos.
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