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PAPO DE GORDO
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papodegordo@gmail.com
Matéria publicada em: 26/05/2007

As lendárias brigas no Rock And Roll – Parte 2

 

Sugestão: Mauro César de Oliveira

E os gordinhos favoritos do mundo do rock and roll (viva a humildade !!) estão de volta. E voltamos para mais algumas brigas que marcaram o Rock And Roll de um jeito ou de outro. Leiam enquanto nós não brigamos também !!

1 - GUNS N ROSES
(Axel Rose contra todos)
Depois do lançamento do seu álbum de estréia o Guns iria sentir um sucesso avassalador. Suas músicas eram tocadas no mundo inteiro e de repente os caras que não tinham dinheiro nem para comer, começaram a ganhar rios de dinheiro com suas apresentações. E assim, como acontece com a maioria das pessoas, a pressão da fama foi forte de mais.

O abuso de drogas foi o motivo do primeiro desfalque entre os componentes. Em 1988 Slash por pouco não é despedido por abuso de heroína e em 1990 Steve Adler foi tirado da banda por não conseguir abandonar o vício. Steven Adler foi substituído pelo baterista do The Cult, Matt Sorum, com quem a banda havia excursionado no início da carreira. Se junta também à banda o tecladista Dizzy Reed. A estréia do novo grupo ocorre no Rock In Rio II.
Uma turnê interminável se seguiu ao lançamento de Use Your Illusion I e II, e foi justamente este o motivo da saída inesperada de Izzy Stradlin, cansado da vida na estrada. A saída de Izzy ocorreu sem maiores danos à relação dele com o resto da banda. Foi substituído as pressas por Gilby Clarke. No começo de 1993 Gilby sofreu um acidente de moto e a banda chama Izzy as pressas para assumir a guitarra-base. Izzy afirmou que só aceitou porque "os shows seriam em países tropicais". A turnê se encerra em julho, no estádio Monumental de Nuñez, na Argentina, com um show transmitido ao vivo pela TV e que foi encerrado com um abraço entre Axl e Slash.
No ano seguinte, Gilby Clarke é demitido após desavenças com Axl e lança um álbum solo. Para o lugar de Gilby vem Paul Huge, amigo de infância de Axl (segundo o que o vocalista afirmou no show do Rock In Rio III.

Em 1995, Slash lançou um álbum chamado "It's 5 O'Clock Somewhere", de um projeto-solo seu chamado Slash's Snakepit. O guitarrista sempre fora considerado a alma musical do Guns N' Roses, e os boatos sobre a dissolução da banda aumentam. Nessa mesma época, Slash afirmou já ter várias músicas compostas para o próximo álbum do Guns e disse que as músicas não aproveitadas fariam parte do seu projeto Slash's Snakepit.

Em 31 de Outubro de 1996, Slash anuncia sua saída do Guns N' Roses, dizendo que só tinha se encontrado com Axl duas vezes desde 1994. Paul Huge foi apontado como um dos culpados pela saída de Slash, pois teria botado o volume de sua guitarra mais alta do que a de Slash em "Sympathy for the Devil". Em 1997, Robin Finck, do Nine Inch Nails, vem para substituir Slash, e no mesmo ano, Axl (agora dono de todos os direitos sobre o nome Guns N' Roses) demite Matt e Duff decide sair da banda.

Em 1999, Robin Finck sai do Guns N' Roses também com desavenças com Axl, que neste época andava sempre fora de controle.

Em 2000, Josh sai do Guns e a banda contrata o baterista Brain, cujo verdadeiro nome é Brian Mantia. Após mais um dos diversos “tempos” que a banda resolve tomar, Buckethead, de saco cheio dos atrasos e de ficar parado sem tocar (mesmo motivo que teria levado Duff McKagan a abandonar o Guns) sai do Guns N' Roses em dezembro de 2003, fato que só seria oficialmente anunciado quatro meses depois.

2 - RAIMUNDOS
(Rodolfo contra banda, Canisso contra a banda e salve-se quem puder)

Está aqui uma história muito mal contada. Em 2001, como a maioria das bandas desse texto, o Raimundos era praticamente a única banda de hardcore brasileiro com grande prestígio. Seus discos vendiam bem, e eles estavam em alta por cauda da regravação da música do Fábio Júnior “20 e poucos anos”. E em junho daquele ano vem a bomba: Rodolfo sai da banda e era dito como o fim do Raimundos.

Abaixo a primeira nota oficial da saída informada pelo site do jornal Folha de são Paulo:

“O Raimundos acabou. O vocalista Rodolfo saiu e os demais integrantes não querem continuar. "Foi uma decisão do Rodolfo e não tenho nada a dizer", falou ontem o guitarrista Digão.

A Warner, gravadora do grupo, e a ATB, agência que cuida dos shows, confirmaram a saída de Rodolfo. Segundo a assessoria da Warner, a banda não pretende substituir o vocalista, já que a formação "perde o sentido", de acordo com os próprios integrantes do Raimundos.
A saída de Rodolfo acontece cinco meses após ele começar a freqüentar a Comunidade Evangélica Sara Nossa Terra. A igreja, que tem como fiéis os jogadores de futebol Marcelinho Carioca e Evair, surgiu em Brasília há dez anos.

"Em nenhum momento sugerimos ou orientamos o Rodolfo a deixar o grupo. Pelo contrário, dissemos que deveria continuar na banda para manter essa aproximação com as pessoas", disse o pastor Wesley, responsável pela comunidade em São Paulo.”

Mas mesmo após este aviso, a banda resolve continuar com Digão no vocal e lança um CD chamado “Éramos 4” que além de uma música inédita, contava com diversas ao vivo e covers do Ramones.

E quando parecia que este seria o futuro da banda uma nova bomba:

Em 2003, a banda sofre com outra saída: Canisso alega um desgaste natural e deixa o grupo. E nessa história vem o mistério: em algumas entrevistas de cabeça quente ainda, o baixista informa que a saída de Rodolfo da banda não teria nada a ver com a nova religião e sim conflitos com o baterista Fred, obviamente nada disso foi confirmado e Canisso acaba voltando trás pouco tempo depois.

Após isso, o baixista acaba se juntando à Rodolfo, em sua banda Rodox. Em 2005, apostando num trabalho independente, os Raimundos, com Alf (também integrante da banda Rumbora) assumindo o baixo, gravam uma demo com cinco músicas chamada “.qQ cOisAh” (Lê-se ponto qualquer coisa) e disponibilizou-a para download gratuito via Internet através de um site hospedado no site da MTV. A intenção era que as músicas entrassem no site da banda e no futuro CD que eles lançariam quando fechassem contrato com uma gravadora.
Atualmente o Raimundos está parado. Rodox acabou e Rodolfo inclusive veio morar em SC para se dedicar totalmente a nova religião e no fim, o mistério do fim continua.

3 - SEPULTURA
(Max Cavalera contra o resto)
Em 1996 parecia que o Sepultura iria durar para sempre. A banda mineira havia conseguido se tornar a banda nacional mais conhecida no mercado mundial. Seus shows atraiam milhares de pessoas, seus discos chegavam a marca de 1 milhão de cópias vendidas e a crítica e toda a imprensa brasileira haviam se rendido aos cabeludos que estavam marcando história. E ainda assim, em 16 de dezembro de 1996 a banda faria sua última apresentação com a formação original e em 29 de janeiro de 1997 Max abandonaria a banda de vez.
Como em muitas bandas após um longo período, o relacionamento interno na banda já vinha desgastado havia algum tempo. A medida que a banda crescia e se consolidava cada vez mais com um dos gigantes da música pesada mundial, nos bastidores o relacionamento do vocalista e guitarrista Max Cavalera com o resto do grupo se tornava mais distante e complicado.
Na época, o casamento de Max Cavalera com Gloria, a empresária da banda, contribuiu, de certa forma, para o desgaste das relações internas. Em determinado momento havia a sensação de que a imagem de Max era mais divulgada do que a da própria banda. Já em 1994 Igor Cavalera não queria renovar o contrato com Gloria. Porém, Andreas Kisser o convenceu a renová-lo por mais dois anos. Isso inclusive já facilmente presenciado pelo Papo de Gordo durante a passagem com o Ramones e o Raimundo por Santa Catarina. Enquanto Max saía em separado com a mulher e seu filho mais novo Zyon, o restante da banda saia em seguida, bem mais simpáticos e determinados a falar com seus fãs.

Com o sucesso de Roots, lançado em 1996 a situação se tornou insuportável. Max estava cada vez mais afastado do restante do grupo, cada vez mais isolado. Para além disso, vários acontecimentos que se sucederam ao longo do ano prejudicaram de forma substancial o relacionamento do grupo com a empresária Gloria. Também nesse ano aconteceu a morte do filho do casamento anterior de Glória, o que acabou afastando ainda Max pois este estava cada vez mais solidário a esposa.

Igor Cavalera, Andreas Kisser e Paulo Jr., então, tomaram uma decisão: não iriam renovar o contrato de Gloria.

Ao fim de um show em Buenos Aires, no dia 15 de novembro de 1996, o trio informou a Max e Gloria que não pretendia renovar o contrato; deixou claro, entretanto, que Max poderia continuar a trabalhar com sua mulher e que eles contratariam outra pessoa.
16 de dezembro de 1996 era o último dia de contrato de Gloria com o Sepultura. Para que o contrato não se renovasse automaticamente, a banda teria que entregar um comunicado oficial, por escrito, à empresária. Um advogado preparou uma carta a ser entregue a Gloria ao fim do show em Londres. Ao final da apresentação, Igor, Andreas e Paulo se reuniram com Gloria (Max se recusou a participar da reunião) e entregaram a carta, informando-a de que não pretendiam renovar o seu contrato. Depois desta ocasião, apenas em 29 de janeiro de 1997 Max anunciou oficialmente a sua saída do Sepultura. Portanto, aquele show em Londres não foi apenas o último da turnê do Roots em 1996, como foi o último de Max Cavalera no Sepultura.
Mesmo com o restante da banda continuando com a entrada do novo vocalista Derick Green e Max Cavalera montando sua própria banda Soulfly, a carreira de ambos jamais voltaria a ter o mesmo prestígio anterior.

O Papo de Gordo agradece Mauro César de Oliveira pela sugestão
e principalmente pela paciência de acompanhar nossa estimada coluna.

Grande Abraço a todos.
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